
12 de Outubro de 2007. Gazeta do Sul - "Cartas"
Há mais de 180 anos passaram a imigrar no Brasil os primeiros alemães. Em 1849 chegaram os primeiros colonos, que se estabeleceram em Linha Santa Cruz (na época Picada Velha), o que impulsionou um grande crescimento na cidade. Santa Cruz do Sul, com o passar dos anos, tornou-se uma cidade imigrada por várias civilizações, sendo uma bela cidade multirracial, mas sendo marcada principalmente pela colonização alemã.
Como Santa Cruz do Sul é um dos principais núcleos da colonização alemã do Rio Grande do Sul, não deixou de resgatar e manter origens e costumes de seus antepassados. A exemplo deste resgate, preservaram-se culturas e tradições, entre a gastronomia, dança, música, leitura, arquitetura, religião, o clássico chope e principalmente a grande e típica festa germânica, a Oktoberfest, que é um verdadeiro cultivo às tradições germânicas, sendo inspirada na original e maior festa de Munique, na Alemanha.
Durante a comemoração da Oktoberfest, todos esses resgates culturais são colocados em evidências. Alegria e descontração são as marcas deste evento, mas a preservação e a manifestação cultural, aproximando etnias, é que fazem o grande diferencial.
Na verdade, a Oktoberfest de Munique primeiramente se sucedeu para a comemoração de casamento do príncipe herdeiro Ludovico (mais tarde Rei Ludovico 1º) com a princesa Teresa, em outubro de 1810, quando todos moradores da cidade foram convidados. A festa de casamento instituiu em seu encerramento uma corrida de cavalos e o desfile da família Real da Baviera. Pelo grande sucesso desta festa, no ano seguinte foi marcada outra festa, e foi assim que passou a ser uma tradição no Sul da Alemanha.
Devido à emigração alemã, a Oktoberfest foi levada a diversos países do mundo para relembrar suas tradições. Em Santa Cruz do Sul, atualmente é festejada a terceira maior Oktoberfest do mundo, reunindo cerca de 422 mil visitantes, pois a maior Oktoberfest reúne cerca de 6,2 milhões de visitantes.
Visitando a Oktoberfest de Munique no último final de semana, sentimos uma emoção muito grande de vivenciar a fonte da Festa da Alegria. Aqui na Alemanha, a maior Oktoberfest do mundo é realizada em um parque aberto, no meio da cidade, sem cobrança de ingressos.
As festas com músicas típicas acontecem em enormes pavilhões fechados, cada um com um nome específico: Augustinerbräu, Hacker-Pschorr Bräu, Hofbräu, Löwenbräu, Paulanerbräu, Spatenbräu (como o de Santa Cruz, o Pavilhão Central), onde encontramos a verdadeira festa da alegria.
O que também torna o ambiente muito mais bonito é a quantidade de pessoas que comparecem à festa vestidas com o traje típico. Lindo demais! Sem falar na quantidade enorme de comidas típicas oferecidas e diversas outras tendas que vendem as lembranças da festa.
Presenciando a Oktoberfest de Munique neste ano, e todas as de Santa Cruz nos anos anteriores, podemos concluir que a nossa Oktober está crescendo a cada ano mais. Isso devido às coordenações das festas e ao povo que trabalha para resgatar essa cultura. É um orgulho imenso ser descendente de alemães e poder reviver um pouco da história germânica no nosso País!
Letícia Herberts
Nenhum comentário:
Postar um comentário